Movimento Cívico pela Linha do Vouga

"Estamos na luta pela Linha do Vouga. Todos nós sonhamos com algo e todos nós ambicionamos algo. Aquilo com que sonhamos e com que ambicionamos é que a via estreita tenha um futuro e não um fim. Queremos que preservem a última linha de via estreita do país, que a renovem, que lhe "limpem a cara". Não queremos que a eliminem pois faz parte da nossa história. Queremos que os nossos filhos, netos e bisnetos, possam, no futuro, desfrutar das mesmas aventuras que todos nós (ainda) podemos desfrutar. A história da Linha do Vouga é algo que tem de ser preservado, pois um país que não preserve a sua história, não é um país. A via tem um potencial turístico enorme, assim como uma afluência de passageiros que consideramos sustentável caso a oferta de comboios seja melhorada. Em Espanha, encontram-se alguns exemplos de como a via estreita pode ser rentável no século XXI, basta para isso algum dinamismo e vontade política para que isso aconteça de igual modo em Portugal."

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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Centro Interpretativo é interessante, mas o 'Museu Vivo' é a chave diferenciadora!


Saudamos a recente visita do vice-presidente da Câmara Municipal de Águeda, Edson Santos, e dos técnicos municipais ao Museu Ferroviário Nacional no Entroncamento. A intenção de criar um Centro Interpretativo da Linha do Vouga para valorizar o Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga demonstra um interesse autárquico louvável na salvaguarda da nossa memória ferroviária.


Notícia na imprensa:

https://sapo.pt/artigo/macinhata-do-vouga-prepara-uma-nova-era-para-o-seu-patrimonio-ferroviario-6a7c7b21e252287f8a5f3d35


Esta iniciativa remete-nos para 2015, quando o MCLV realizou uma viagem de âmbito idêntico ao Museo Vasco del Ferrocarril e à Euskotren, no País Basco — uma referência europeia na preservação de vias métricas e onde viajámos na histórica automotora Allan CP 9301.


Relembre a nossa visita ao País Basco: https://www.mclv.org/2015/08/visita-ao-museo-vasco-del-ferrocarril-e.html


Deste modo, sugerimos vivamente aos responsáveis autárquicos de Águeda uma visita ao museu basco, em Azpeitia. Por muito que a ideia de criar um centro interpretativo possa soar interessante no papel, nunca terá a escala, o impacto turístico nem a dimensão patrimonial de um verdadeiro "Museu Vivo" — e era exatamente assim que o projeto deveria ser concetualizado e apresentado desde o primeiro momento.


Apesar de a autarquia referir que a articulação com Sernada do Vouga surgirá apenas numa fase posterior, o MCLV considera que essa devia ser a prioridade imediata. É nossa convicção de que o que tornará o projeto de requalificação daquele espaço museológico em algo verdadeiramente diferenciador nunca poderá limitar-se apenas em expor informação ou peças estáticas, mas sim em permitir a vivência do ambiente ferroviário real e operacional.


Para que este projeto seja um caso de sucesso à escala nacional e europeia, seria fundamental:


* Integrar o complexo de Sernada do Vouga desde a primeira hora, adaptando e capacitando para visita pública áreas históricas hoje reservadas, como as cocheiras que guardam material histórico ou a antiga serração, articulando a atividade oficinal diária com a vertente museológica;


* Conectar Macinhata e Sernada num eixo vivo, onde o material histórico é mantido, restaurado e colocado a circular com passageiros na linha.


Sem incluir a alma e a componente operacional de Sernada logo no arranque, corre-se o risco de criar apenas mais um espaço de exibição passiva. O património da Linha do Vouga pode e deve ser preservado em movimento!


📍 Legenda da foto: Automotora Allan CP 9301, no Museu Vasco del Ferrocarril, em 2015

📸 Autoria da foto: Bruno Soares


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Há uma coisa que não falta à Linha do Vouga!

A Linha do Vouga é uma das infraestruturas ferroviárias mais carismáticas da região de Aveiro e até do país, mas a verdade é que lhe continua a faltar quase tudo para cumprir o seu verdadeiro potencial.

Falta-lhe modernização e eletrificação, o que a mantém presa ao passado com automotoras a gasóleo lentas e antiquadas. Falta-lhe material circulante em número suficiente e fiável, cujas constantes avarias e supressões desesperam quem depende dela todos os dias. Faltam horários cadenciados e mais frequentes, capazes de responder às necessidades reais de quem estuda ou trabalha. Falta-lhe velocidade comercial, devido ao traçado sinuoso e aos muitos cruzamentos sem automatismos, que tornam a viagem excessivamente demorada. Faltam plataformas acessíveis e estações mais eficientes, que garantam conforto e segurança a quem embarca. Faltam investimentos estruturais fundamentais como a reposição da interface com a Linha do Norte em Espinho e o prolongamento da linha até à Universidade de Aveiro. Falta também repor o serviço comercial de passageiros entre Oliveira de Azeméis e Sernada do Vouga, colmatando um corte drástico na coesão territorial, isto para não falar de o grande troço histórico até Viseu continuar encerrado há décadas.


No entanto, por muito que o abandono político e a falta de um sério investimento teimem em castigar este eixo centenário, há uma coisa — a mais importante de todas — que nunca falta na Linha do Vouga: passageiros! As carruagens continuam a encher-se de gente que resiste, prova viva de que a ferrovia faz falta e tem futuro, bastando apenas que quem governa decida finalmente apostar nela.


📸 Autoria da foto: Vítor Gomes

📍 Espinho-Vouga, 10 de agosto de 2026


quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Obras na Linha do Vouga: Renovação avança até São João de Ver e atinge o PK 14,3

Dando continuidade ao nosso acompanhamento mensal dos trabalhos de Renovação Integral de Via (RIV) no troço Espinho – Santa Maria da Feira, trazemos a habitual atualização sobre o curso das obras no nosso "Vouguinha".

Se no mês transato assinalávamos a chegada da frente de trabalho à Zona Industrial da Corujeira (PK 15,7), as últimas semanas voltaram a ser marcadas por uma progressão firme no terreno. As equipas avançaram mais 1,4 quilómetros na substituição da superestrutura de via, tendo alcançado agora o PK 14,3 — situando-se a escassos metros após a Junta de Freguesia de São João de Ver e cada vez mais perto da sua antiga estação ferroviária.

Com este novo impulso, o acumulado de via totalmente renovada desde o ponto de partida, na Estação de Santa Maria da Feira (PK 19,4), ultrapassa já a marca dos 5,1 quilómetros intervencionados. No terreno, os trabalhos prosseguem com o habitual desguarnecimento e substituição do balastro, bem como o assentamento de novos carris e travessas de madeira. As fotografias que acompanham esta publicação foram captadas entre o início do mês de julho e o início do mês atual, ilustrando de forma clara as diferentes fases deste avanço.

Recorde-se que este investimento de 7,5 milhões de euros visa repor os índices de segurança, fiabilidade e conforto no troço, integrando ainda intervenções na estabilização da infraestrutura e no sistema de drenagem. A frente de obra prossegue assim a sua caminhada a bom ritmo em direção a Espinho, e o MCLV continuará a acompanhar o decorrer dos trabalhos dentro das suas possibilidades, mantendo a defesa da plena valorização da Linha do Vouga. Fique atento às próximas atualizações!

Galeria de imagens



📸 Autoria das fotos: Vitor Gomes 

 

sexta-feira, 17 de julho de 2026

Requalificação da Estação de Albergaria-a-Velha: MCLV saúda projeto, mas exige o regresso dos comboios ao troço central

Imagem: cm-albergaria.pt

O Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) vem publicamente saudar o Município de Albergaria-a-Velha pela aprovação do projeto de remodelação, reabilitação e ampliação do edifício da Estação Ferroviária de Albergaria-a-Velha e da sua zona envolvente. Reconhecemos que a salvaguarda deste património edificado do início do século XX e a sua devolução à comunidade são passos positivos para a dinamização urbana daquela cidade.


No entanto, o MCLV manifesta a sua profunda preocupação e surpresa face à terminologia utilizada na nota oficial do Município, que recorre a expressões como "memória ferroviária" e "antigo complexo ferroviário". A utilização destes termos parece relegar a ferrovia que atravessa aquela localidade para o campo do "passado" e da mera "nostalgia", o que pode indiciar que esta autarquia está resignada com a atual ausência do serviço ferroviário de passageiros, ignorando o potencial de uma infraestrutura que tem de ser devolvida às populações. É urgente recordar que:


1) O Troço Central não pode ser esquecido: Albergaria-a-Velha situa-se em pleno troço central da Linha do Vouga. Embora o serviço de passageiros esteja injustamente suspenso, este troço é o elo de ligação vital para garantir a integridade e a continuidade de toda a linha;


2) A via foi renovada recentemente: A infraestrutura de via que atravessa Albergaria-a-Velha foi alvo de uma recente renovação integral por parte da Infraestruturas de Portugal (IP). Falar em "antigo complexo" é ignorar que existe uma linha férrea renovada e apta a receber comboios, fruto de investimento público recente;


3) Requalificar o edifício exige lutar pelo comboio: O MCLV defende que a reabilitação da estação não deve servir para "vender" a ferrovia como uma peça de museu. Pelo contrário, este investimento deve ser o ponto de partida para que o Município exija, junto da tutela e da CP, o imediato regresso dos comboios de passageiros ao troço central.


O MCLV apela ao executivo de Albergaria-a-Velha para que ajuste o tom da sua comunicação e a sua postura estratégica. A nova vida da estação deve ser desenhada em harmonia com uma linha que se quer ativa, garantindo que o espaço permaneça funcional para o dia em que o "Vouguinha" volte a parar em Albergaria. A ferrovia no troço central da Linha do Vouga não é uma "memória"; é um direito à mobilidade sustentável que urge recuperar!


🔍 Notícia CM Alb.-a-Velha: https://www.cm-albergaria.pt/municipio/comunicacao-e-transparencia/noticias-do-municipio/noticia/camara-municipal-aprova-projeto-de-requalificacao-da-antiga-estacao-da-cp


sexta-feira, 10 de julho de 2026

A crise do troço central e o serviço de substituição voltam ao ‘Sobre Carris’: Carlos Cipriano destaca estudo do MCLV

A problemática do troço central da Linha do Vouga e a permanência do serviço rodoviário de substituição (táxis) voltaram a estar no centro do debate ferroviário nacional. 

No mais recente episódio do podcast Sobre Carris, o jornalista Carlos Cipriano (jornal Público) voltou a colocar o "Vouguinha" na ordem do dia, trazendo dados essenciais para compreender o impacto deste bloqueio na vida das populações.

Mais do que expor a precariedade que se arrasta no terreno, o jornalista voltou a fazer uma importante referência ao trabalho e à cidadania ativa do nosso movimento, destacando o estudo técnico elaborado pelo MCLV, o qual dava conta de que a reativação do serviço ferroviário no troço central exige intervenção em metade das paragens (ver aqui).

O Movimento Cívico pela Linha do Vouga endereça, uma vez mais, um profundo e público agradecimento a Carlos Cipriano e a toda a equipa do Sobre Carris. O reconhecimento do nosso trabalho técnico — onde propomos soluções realistas para a reativação da linha de ponta a ponta e a criação do serviço "MiraVouga" — reforça a urgência de passarmos das promessas governamentais à ação. Substituir comboios por táxis de forma permanente não é transporte público moderno nem sustentável; é privar o interior da nossa região de uma mobilidade digna e com coesão territorial.

Convidamos toda a nossa comunidade a ouvir o episódio completo do podcast e a rever o estudo que mereceu o destaque. A nossa luta continua no terreno e nas instâncias técnicas, porque o Vouga merece o comboio em toda a sua extensão!

🎧 Ouve aqui o podcast completo:

(Segmento Linha do Vouga: a partir do min. 23:40)

quarta-feira, 8 de julho de 2026

Obras na Linha do Vouga: Renovação avança mais 1,1 km e chega à Zona Industrial da Corujeira (PK 15,7)

Dando continuidade ao nosso acompanhamento mensal dos trabalhos de Renovação Integral de Via (RIV) no troço Espinho – Santa Maria da Feira, trazemos as mais recentes novidades sobre a intervenção em curso na Linha do Vouga.

Se no início de junho dávamos conta de que a frente de trabalho tinha alcançado a Passagem de Nível do Cavaco (situando-se no PK 16,8), as últimas semanas voltaram a demonstrar um ritmo de progressão constante rumo a norte. As equipas avançaram mais 1,1 quilómetros na substituição da superestrutura da via, tendo atingido agora o PK 15,7, localizado junto à Zona Industrial da Corujeira (Cavaco). Com este novo avanço, o acumulado de via totalmente intervencionada desde o ponto de partida, na Estação de Santa Maria da Feira (PK 19,4), ascende já a uns significativos 3,7 quilómetros.

No local, os trabalhos, que decorrem em período noturno, concentram-se na habitual substituição do balastro e no assentamento dos novos carris e das novas travessas de madeira, que vêm substituir de forma definitiva o material degradado. Esta profunda intervenção na via férrea, recorde-se, faz parte do investimento de 7,5 milhões de euros destinado a este troço, visando garantir a fiabilidade e a melhoria substancial dos índices de segurança da infraestrutura, nomeadamente através do tratamento de drenagens e da estabilização da via.

A frente de obra deixa agora para trás a zona envolvente ao Apeadeiro do Cavaco e à área industrial adjacente, preparando-se para continuar a vencer os quilómetros seguintes em direção a Espinho. O MCLV continuará a acompanhar o avançar dos trabalhos, mantendo o seu papel ativo na exigência de uma verdadeira requalificação e manutenção da bitola métrica na nossa Linha do Vouga. Fique atento às próximas atualizações!

(Nota: As fotografias que acompanham esta publicação foram captadas entre o início do mês anterior e o do atual, registando a evolução constante dos trabalhos ao longo deste período).

Galeria de imagens



📸 Autoria das fotos: Vitor Gomes 

 

Anos
A idade da Linha do Vouga
98 Quilómetros
Via férrea ativa entre Espinho e Aveiro
610000 Passageiros
Média anual na Linha do Vouga

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