A Linha do Vouga é uma das infraestruturas ferroviárias mais carismáticas da região de Aveiro e até do país, mas a verdade é que lhe continua a faltar quase tudo para cumprir o seu verdadeiro potencial.
Falta-lhe modernização e eletrificação, o que a mantém presa ao passado com automotoras a gasóleo lentas e antiquadas. Falta-lhe material circulante em número suficiente e fiável, cujas constantes avarias e supressões desesperam quem depende dela todos os dias. Faltam horários cadenciados e mais frequentes, capazes de responder às necessidades reais de quem estuda ou trabalha. Falta-lhe velocidade comercial, devido ao traçado sinuoso e aos muitos cruzamentos sem automatismos, que tornam a viagem excessivamente demorada. Faltam plataformas acessíveis e estações mais eficientes, que garantam conforto e segurança a quem embarca. Faltam investimentos estruturais fundamentais como a reposição da interface com a Linha do Norte em Espinho e o prolongamento da linha até à Universidade de Aveiro. Falta também repor o serviço comercial de passageiros entre Oliveira de Azeméis e Sernada do Vouga, colmatando um corte drástico na coesão territorial, isto para não falar de o grande troço histórico até Viseu continuar encerrado há décadas.
No entanto, por muito que o abandono político e a falta de um sério investimento teimem em castigar este eixo centenário, há uma coisa — a mais importante de todas — que nunca falta na Linha do Vouga: passageiros! As carruagens continuam a encher-se de gente que resiste, prova viva de que a ferrovia faz falta e tem futuro, bastando apenas que quem governa decida finalmente apostar nela.
📸 Autoria da foto: Vítor Gomes
📍 Espinho-Vouga, 10 de agosto de 2026






