quinta-feira, 5 de novembro de 2026

COMUNICADO: MCLV indignado com anúncios de Pinto Luz para a Linha do Vouga


O Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) manifesta a sua mais veemente preocupação e indignação face às recentes declarações do ministro das Infraestruturas e da Habitação, Miguel Pinto Luz, que anunciou que o governo iniciará estudos para o alargamento da rede do Metro do Porto, aproveitando o canal da Linha do Vouga, aos concelhos do sul da Área Metropolitana do Porto (AMP).


Para o MCLV, este anúncio traduz-se num lamentável ato de desnorte político e propaganda barata, contrariando abertamente os instrumentos estratégicos nacionais e até algumas orientações comunitárias em vigor.


As declarações proferidas pelo ministro na quarta-feira, na Câmara Municipal do Porto — que incluiu a alusão a Vale de Cambra numa equação puramente instrumental — demonstram que o Executivo está a ceder a pressões político-partidárias e a lóbis que pretendem desvirtuar o futuro da ferrovia, ignorando por completo os compromissos oficiais assumidos pelo Estado português.


1. A responsabilidade dos autarcas da AMP: Ambições ilusórias que paralisaram o investimento

O MCLV assinala a responsabilidade dos autarcas dos municípios do sul da AMP servidos pela Linha do Vouga (Espinho, Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis) na espiral de atrasos que sufoca a região. Ao apresentarem uma moção ao Governo a apelar a uma hipotética "ligação direta e rápida ao Porto", os autarcas metropolitanos alimentaram, do nosso ponto de vista, uma ambição ilusória e tecnicamente irrealista. Esta postura permissiva e deslumbrada por promessas de mudança de bitola, seja através da reconversão para bitola ibérica, seja para "metro", serviu apenas de pretexto conveniente para o poder central sucessivamente adiar as verbas e os investimentos devidos. Foi precisamente esta falta de pragmatismo e de exigência dos autarcas locais que condenou a Linha do Vouga a anos de paralisia, travando o avanço concreto da modernização que as populações urgentemente necessitam.


2. A contradição governamental: O próprio Executivo ignora o PFN que aprovou

O cúmulo deste desnorte político reside no facto de o próprio Governo estar a desrespeitar os instrumentos que ele próprio aprovou:


• O Plano Ferroviário Nacional (PFN) foi formalmente aprovado por este mesmo Governo, consagrando de forma inequívoca a preservação, valorização e modernização de toda a Linha do Vouga no seu perfil ferroviário tradicional de via estreita (bitola métrica);


• Violação do PNI 2030: A requalificação e modernização em bitola métrica está inscrita no Plano Nacional de Investimentos (PNI 2030), supostamente contando com dotação orçamental própria.


Ver o ministro vir agora a público anunciar mais "estudos" para alterar o canal ou estudar soluções de metro/rodovia é um ato de profunda irresponsabilidade institucional. Estará o Governo a gastar dinheiro público para estudar o desmantelamento daquilo que ele próprio aprovou através do PFN e onde, inclusive, se encontra neste momento a proceder a uma intervenção de renovação integral de via?


3. Descoordenação total: O Governo diz "Metro", a TMP diz "Metrobus ou Bitola Ibérica"

A leviandade deste anúncio fica demonstrada pela contradição absoluta no seio da própria gestão metropolitana e governamental: Enquanto o ministro Miguel Pinto Luz surge no Porto a acenar publicamente com a extensão da rede do Metro do Porto sobre o canal da Linha do Vouga, a Transportes Metropolitanos do Porto (TMP) — liderada por Nuno Sousa — ainda há escassos dias assumia publicamente estar a estudar a opção entre a bitola ibérica e o Metrobus (BRT).


Como é possível desenhar o futuro da mobilidade de uma região quando o Governo promete uma solução ligeira sobre carris e a empresa pública metropolitana estuda autocarros em canal dedicado ou comboios pesados de bitola ibérica? Esta incoerência expõe um desnorte total e uma gritante ausência de visão técnica integrada.


4. Renovação integral nos 96 km: De Espinho a Aveiro

O MCLV reafirma a sua opinião de que a única solução realista, viável, justa e tecnicamente sustentável para a região é a renovação integral de ponta a ponta da Linha do Vouga, nos seus cerca de 96 quilómetros que ligam Espinho a Aveiro.

A linha deve ser tratada como um corredor contínuo e unificado em bitola métrica, rejeitando-se categoricamente qualquer tentativa de descaracterização, mutilação ou divisão entre troços. 


Compreendemos que a expansão da rede do Metro do Porto ao sul da AMP é uma reivindicação totalmente legítima, mas para tal não se devem misturar "alhos com bugalhos", que é o mesmo que dizer, que ambos os meios de transporte devem-se complementar e não implicar o desmantelamento da ferrovia atual.


5. As verdadeiras extensões prioritárias vs. Ilusões de propaganda

Enquanto o Governo acena com o Metro do Porto e promessas irrealistas para alargamento até Vale de Cambra, o MCLV recorda que as verdadeiras prioridades de expansão e ligação da Linha do Vouga já estão identificadas e deviam ser as únicas na equação:


• Reposição da interface com a Linha do Norte em Espinho: Garantindo a ligação direta e o transbordo eficaz de passageiros, eliminando o fosso pedonal de 500 metros atualmente existente;


• Prolongamento à Universidade de Aveiro: Conectando diretamente a linha ao polo académico e científico de referência da região sul do eixo;


• Reabertura do troço entre Sernada do Vouga e Paradela (Conformidade Europeia): Esta reabertura vai ao encontro das mais recentes recomendações da União Europeia, que estipulam que os governos que invistam em linhas de alta velocidade têm até 2027 para identificar, para reabertura, linhas regionais com potencial de alimentar os eixos centrais de transporte, tornando esses projetos elegíveis para fundos e apoios comunitários estratégicos.


6. Exigência de responsabilidade e ação imediata

"Estudar o que já estava estudado" — e aprovado pelo próprio Executivo — serve apenas para arrastar o impasse, gastar recursos públicos e mascarar a falta de investimento real. Exigimos que o Ministério das Infraestruturas abandone a agenda de propaganda e execute com urgência a modernização integral em bitola métrica ao longo de todo o traçado entre Espinho e Aveiro. As populações do sul da AMP e da Região de Aveiro não aceitam mais manobras de diversão. A Linha do Vouga exige respeito, visão estratégica e investimento sério.


Pela Bitola Estreita, uma Ambição Larga!


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