Movimento Cívico pela Linha do Vouga

"Estamos na luta pela Linha do Vouga. Todos nós sonhamos com algo e todos nós ambicionamos algo. Aquilo com que sonhamos e com que ambicionamos é que a via estreita tenha um futuro e não um fim. Queremos que preservem a última linha de via estreita do país, que a renovem, que lhe "limpem a cara". Não queremos que a eliminem pois faz parte da nossa história. Queremos que os nossos filhos, netos e bisnetos, possam, no futuro, desfrutar das mesmas aventuras que todos nós (ainda) podemos desfrutar. A história da Linha do Vouga é algo que tem de ser preservado, pois um país que não preserve a sua história, não é um país. A via tem um potencial turístico enorme, assim como uma afluência de passageiros que consideramos sustentável caso a oferta de comboios seja melhorada. Em Espanha, encontram-se alguns exemplos de como a via estreita pode ser rentável no século XXI, basta para isso algum dinamismo e vontade política para que isso aconteça de igual modo em Portugal."

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segunda-feira, 9 de março de 2026

Sobre Carris: O 'estranho' caso dos PDA's na Linha do Vouga

No mais recente episódio do podcast Sobre Carris (publicado em fevereiro de 2026), Carlos Cipriano, Diogo Ferreira Nunes e Ruben Martins discutiram o problema insólito que tem causado a supressão de comboios na Linha do Vouga: a falta de PDA's (Personal Digital Assistants).

Deixamos aqui um resumo dos pontos principais abordados sobre este tema:


1. O que são e para que servem estes PDA's?


Diferente do que acontece noutras linhas, na Linha do Vouga os PDA's não são usados apenas para a venda ou validação de bilhetes. Eles são dispositivos de segurança críticos.


 • Comunicação: O sistema de sinalização da linha (o SISE - Sistema Integrado de Sinalização e Exploração) exige que o revisor comunique com o Centro de Comando Operacional (CCO) de Contumil através deste aparelho.

 • Autorização de Partida: O revisor utiliza o PDA para assinalar a posição do comboio numa estação e pedir "cantão" (autorização) para seguir até à próxima. Sem este dispositivo, o comboio não terá autorização de segurança para circular.


2. A gravidade do problema


 • Equipamento Obsoleto: Os aparelhos utilizados são antigos e já não existem no mercado para compra. Além disso, o software é "vetusto" e a empresa que o desenvolveu já não opera no mercado, o que impossibilita atualizações ou grandes reparações.

 • Escassez Crítica: A CP ficou com um stock tão reduzido (devido a avarias e até ao desaparecimento de uma unidade) que deixou de ter equipamentos suficientes para todas as circulações previstas.

• Supressões de Comboios: Nos últimos tempos, comboios entre Aveiro e Sernada do Vouga foram suprimidos não por avaria da automotora ou falta de pessoal, mas simplesmente porque não havia um PDA disponível para entregar ao revisor antes do início do serviço.


3. A Crítica do Podcast


Os comentadores do Sobre Carris destacaram o absurdo da situação:

 • Falta de Investimento: Apontam para o desleixo histórico na Linha do Vouga (a única de via estreita em funcionamento em Portugal), onde problemas aparentemente pequenos, mas estruturais, como este, acabam por paralisar o serviço.

 • Soluções de Substituição: Quando um comboio é suprimido por este motivo, a CP tem recorrido a autocarros de substituição, o que degrada a qualidade do serviço e afasta os passageiros.

 • Inércia da IP e CP: O podcast critica o facto de a Infraestruturas de Portugal (IP) e a CP não terem conseguido encontrar uma solução tecnológica moderna ou uma adaptação para este sistema, deixando a linha à mercê de dispositivos eletrónicos que estão a chegar ao fim da sua vida útil.


Em suma, o episódio utiliza o caso dos PDA's como uma metáfora para a fragilidade da Linha do Vouga, onde a operação pode colapsar devido à falta de um simples dispositivo portátil que já nem se fabrica.


🎧 Oiça o episódio completo aqui:



quarta-feira, 4 de março de 2026

Carta Aberta: Solidariedade e Apelo pela Acessibilidade na Linha do Vouga


O Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) vem por este meio manifestar a sua profunda solidariedade para com o munícipe de Pinheiro da Bemposta que, após a alegada supressão da travessia pedonal no final da Rua Monsenhor Albino Soares de Pinho, se viu confrontado com uma situação de injustiça e enorme dificuldade no seu quotidiano.


Como recentemente relatado pela comunicação social, Tiago João Sousa, um jovem de 35 anos com paralisia cerebral, que se desloca em cadeira de rodas, é agora forçado a percorrer um desvio adicional de 1 km por caminhos de terra batida, buracos e lama para conseguir chegar ao seu local de trabalho numa IPSS local.


Tiago João Sousa junto à antiga passagem de nível, no Pinheiro da Bemposta. Foto: Diário de Aveiro

A Nossa Posição: 


O MCLV acredita que a Linha do Vouga deve ser um motor de desenvolvimento e união das populações, e nunca um fator de exclusão. A segurança ferroviária é fundamental, mas não deve ser garantida à custa da diminuição da dignidade humana e da autonomia dos cidadãos mais vulneráveis.


Retirar uma passagem sem assegurar uma alternativa pavimentada e acessível é uma falha que atenta contra o direito básico à mobilidade (DL n.º 163/2006).


• O Nosso Apelo às Entidades:


Solidarizar-se exige ação. Por isso, apelamos à Câmara Municipal de Oliveira de Azeméis e à Infraestruturas de Portugal (IP) para que colaborem na resolução urgente deste caso:


1. Reposição de uma solução de atravessamento segura e acessível, que devolva ao cidadão o seu trajeto direto e digno;


2. Pavimentação imediata da via de recurso, enquanto uma solução definitiva não for implementada, eliminando as barreiras de terra batida e irregularidades.


A passagem de nível em questão já se encontra suprimida, pelo menos, desde 2010. Foto: Diário de Aveiro.

Estamos cientes de que a lei não permite a reposição do referido atravessamento à superfície, mas também não podemos aceitar que a requalificação da Linha do Vouga resulte em qualquer tipo de barreira física na vida de quem trabalha e contribui para a nossa comunidade. Estamos ao lado deste munícipe e de todos os que lutam por uma mobilidade inclusiva na nossa região.


MCLV, 4 de março de 2026


Fotos: Diário de Aveiro


Notícia Diário de Aveiro: https://www.diarioaveiro.pt/2026/03/03/obrigado-a-ir-de-cadeira-de-rodas-por-terra-batida-para-chegar-ao-trabalho/


Vídeo: https://www.facebook.com/share/v/1V2i8MSrPq/


segunda-feira, 2 de março de 2026

Património em Trânsito: A Operação de Salvaguarda da CP 9004


No passado dia 28 de fevereiro, sob um cenário meteorológico de excelência, a locomotiva CP 2607 assegurou as marchas especiais 31300 (Contumil–Aveiro) e 31301 (Aveiro–Contumil). Esta operação teve como objetivo principal o transporte da locomotiva CP 9004 para as oficinas, que, tendo atingido o seu limite de quilometragem, segue agora para os trabalhos de revisão técnica necessários à continuidade da sua operação.


A composição revestiu-se de um simbolismo particular ao integrar também uma carruagem histórica de via estreita da Linha do Vouga. Esta circulação representa mais do que uma mera necessidade logística; é um testemunho vivo do esforço contínuo pela preservação e valorização do material histórico que constitui a alma do nosso património ferroviário.


Reconhecendo a importância destes passos na manutenção da nossa memória ferroviária, o movimento cívico continua também a acompanhar com atenção e expetativa a evolução do processo de recuperação da locomotiva a vapor CP E214, aguardando brevemente novidades sobre o regresso deste emblemático ativo aos carris.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Mesa Redonda debateu Linha do Vouga em São João de Ver

O MCLV marcou presença na Mesa Redonda organizada pela JS da Feira, realizada no passado sábado, na Junta de Freguesia de São João de Ver. 

O local não podia ser mais emblemático: a poucos metros dos carris que simbolizam tanto o nosso passado como o futuro que exigimos.


Apresentado por Guilherme Pinto e aberto pela presidente da JS da Feira, Telma Vieira Barbosa, que assumiu a mobilidade como prioridade, o debate reforçou o que o nosso movimento defende desde o primeiro dia: independência cívica e rigor técnico.


Unir a Região, Manter a Identidade

A sessão contou com a visão histórica de João Costa (deputado municipal em Oliveira de Azeméis), que recordou a importância vital desta linha para o território, defendendo a sua modernização na atual bitola. 


O nosso representante Mário Pereira foi um dos oradores convidados desta Mesa Redonda

Pelo MCLV, o nosso representante Mário Pereira clarificou o nosso ADN: as origens do movimento, os nossos meios de luta e o objetivo inabalável — a requalificação total de Espinho a Aveiro em bitola métrica.


A Bitola Métrica: A Única Opção Viável

Um dos pontos altos foi a intervenção de Frederico Francisco, especialista em ferrovia e deputado à Assembleia da República. Com clareza técnica, Frederico Francisco corroborou a tese que o MCLV sempre defendeu: a manutenção da bitola estreita (1000mm) não é um "mero remendo", mas sim a única e melhor opção estratégica. É a solução que permite:


• Uma obra mais rápida e menos invasiva;

• Custos de implementação sustentáveis;

• A preservação da interoperabilidade de toda a linha do Vouga.


Uma Voz que Atravessa Políticos e Cidadãos 

O debate ganhou ainda mais corpo com as intervenções de Hugo Oliveira (Presidente da Distrital do PS), da deputada Susana Correia e de Márcio Correia (Vereador na CM da Feira e Presidente da Concelhia do PS), além de Paulo Tomaz e João Sarmento.



A nossa conclusão é clara: O consenso técnico está alcançado. A vontade desta área política parece existir. Agora, o MCLV continuará vigilante para que as palavras proferidas em São João de Ver se transformem em carris e comboios novos, horários dignos e uma linha moderna ao serviço das populações.


A luta continua. Pela Bitola Estreita, uma Ambição Larga!


Fotos gentilmente cedidas pela JS Concelhia Santa Maria da Feira


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

O Futuro da Linha do Vouga em Debate: Realismo e Propostas Concretas em São João de Ver


O Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) aceitou o convite da Concelhia da JS de Santa Maria da Feira para integrar a "Mesa Redonda" sobre o destino da nossa linha ferroviária. O evento terá lugar no próximo dia 21 de fevereiro, às 17 horas, no Salão Nobre da Junta de Freguesia de São João de Ver.

O nosso representante, Mário Pereira, será um dos oradores convidados, partilhando o painel com Frederico Francisco e João Costa.

Compromisso com a Verdade

Para o MCLV, este debate não será um exercício de retórica. A nossa participação pautar-se-á por três eixos fundamentais:

• Realismo: Analisar a situação atual da linha sem filtros.

• Propostas Concretas: Apresentar soluções técnicas, sociais e financeiramente exequíveis para a modernização do serviço.

• Sem Falsas Promessas: Defender o "Vouguinha" com base na viabilidade e no respeito pelos utentes, longe de ilusões eleitoralistas.

Acreditamos que Santa Maria da Feira e toda a região de Aveiro merecem uma ferrovia do século XXI. É em locais como São João de Ver, que vivem a realidade da linha diariamente, que as decisões devem ser escrutinadas.

📍 Agende e Compareça:

📅 Data: 21 de Fevereiro (Sábado)
🕔 Hora: 17h00
📍 Local: Salão Nobre da Junta de Freguesia de São João de Ver (Santa Maria da Feira)

A tua presença é a nossa força. Vamos mostrar que a Linha do Vouga tem voz!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

COMUNICADO: MCLV repudia supressões na Linha do Vouga por falta de meios básicos e inércia técnica

O Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) vem, por este meio, manifestar o seu mais profundo repúdio perante as supressões de comboios ocorridas hoje, 13 de fevereiro de 2026. 

Este comunicado surge na sequência da notícia hoje avançada pelo jornal Público, que denuncia a paragem de composições devido à falta de equipamentos PDA (Personal Digital Assistant) para as equipas de bordo.


É inadmissível que a mobilidade de milhares de cidadãos entre Aveiro e Espinho possa ser sequestrada por uma falha logística tão elementar e evitável. Este episódio, confirmado pela comunicação social, é o reflexo de um problema estrutural que o MCLV urge denunciar:


• Negligência Operacional da CP: Ainda que acautelando serviço rodoviário de substituição, é injustificável que uma operadora nacional suprima serviços ferroviários por incapacidade de fornecer material de apoio básico aos seus trabalhadores. Tratar os passageiros desta linha como utentes de segunda categoria, cancelando comboios por falhas administrativas, é um desrespeito gritante por quem trabalha e estuda.


• Falta de know-how e Inércia da IP: A paragem do serviço por falta de dispositivos móveis revela a fragilidade de uma infraestrutura que a Infraestruturas de Portugal (IP) mantém tecnologicamente obsoleta. A falta de investimento e de competência técnica para modernizar os sistemas de apoio à exploração deixa a operação ferroviária refém de meios manuais e precários.


Não aceitaremos que o "Vouguinha" continue a ser vítima de um desinvestimento crónico e de uma gestão de braços cruzados. O direito ao transporte público é fundamental e não pode estar dependente de falhas de planeamento que revelam um profundo desprezo pela nossa região.


Face ao exposto, o MCLV exige:


1) Um esclarecimento público imediato por parte das administrações da CP e da IP, bem como do Ministério das Infraestruturas, sobre as falhas reportadas pelo jornal Público;


2) A criação urgente de um plano de ação com o objetivo de terminar com a supressão de circulações e a garantia de meios de substituição sempre que a logística interna falhe;


3) Um plano de modernização tecnológica sério, que dote a linha de sistemas de comunicação e sinalização que não fiquem paralisados por falta de equipamentos portáteis.


A nossa paciência esgotou-se. Manteremos a nossa vigilância ativa e não abdicaremos de exigir o respeito e o serviço de qualidade a que as populações do distrito de Aveiro têm direito.


Movimento Cívico pela Linha do Vouga, 13 de fevereiro de 2026


Notícia do jornal Público: https://www.publico.pt/2026/02/13/local/noticia/comboios-suprimidos-linha-vouga-falta-pda-2164758


terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Vouga em Movimento: Especial de Natal 2025

Celebramos 3 anos e o nosso 15.º episódio com convidados de luxo!

Neste especial de Natal, reunimos algumas vozes que marcam a ferrovia em Portugal para uma retrospectiva de 2025 e um olhar sobre o futuro.


Além da habitual mensagem natalícia da equipa do MCLV, convidámos três figuras incontornáveis, desde a política ao ativismo ferroviário nacional, para partilharem a sua visão: o "Caçador de Locomotivas" Ricardo Grilo, o "Senhor Via Estreita" Daniel Conde e o "pai de um Plano Ferroviário para Portugal" Frederico Francisco brindam-nos com as suas sábias palavras, onde mostram as perspectivas e os desafios para o novo ano que se avizinha.


Um episódio de balanço, estratégia e, acima de tudo, de paixão pelos carris da "nossa" Linha do Vouga.



Episódio também disponível no Spotify, aqui.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

O 'Cancro dos Grafitis' na Linha do Vouga: Um Alerta para o Património

Durante o período em que Nuno Freitas esteve na presidência da CP, este era o aspeto habitual das automotoras, onde a empresa terá eliminado os grafitis em 99,5% do seu material circulante, em 2022.

A Linha do Vouga e o seu comboio, carinhosamente apelidado de "Vouguinha", é muito mais do que um simples trajeto ferroviário de via métrica no distrito de Aveiro; é um património histórico e um elo de coesão territorial. 

No entanto, ao longo dos anos, este símbolo de resistência e história tem enfrentado uma ameaça que muitos ativistas, entusiastas e até alguns meios de comunicação social têm classificado como o "cancro dos grafitis".

A Degradação Visual e Estrutural

O termo "cancro dos grafitis" é naturalmente uma metáfora dramática que ilustra a proliferação descontrolada e o impacto negativo da pintura não autorizada nos comboios, estações e demais infraestruturas ferroviárias em Portugal, com especial incidência na Linha do Vouga. Esta situação, que se agravou consideravelmente nos últimos anos, transcende a mera questão estética, atingindo aspetos cruciais:

 * Vandalismo de Material Circulante: As automotoras, já antigas e em necessidade de modernização, são frequentemente alvo de pintura ilegal de alto a baixo. Isto inclui o exterior, afetando até as janelas e vidros e, em alguns casos, o próprio interior;
 * Degradação das Estações: As estações e apeadeiros ao longo da linha também não escapam, com as paredes e edifícios a serem desfigurados, contribuindo para um cenário desolador e de abandono.

Este é o aspeto atual das automotoras UDD 9630 que fazem o serviço comercial de passageiros. Nota: para evitar a promoção do vandalismo, os grafitis da imagem foram alterados por IA.

Consequências para a Linha e para a Comunidade

O problema dos grafitis na Linha do Vouga não é apenas um incómodo visual; tem consequências graves que ameaçam a própria sobrevivência e a dignidade do serviço:

 * Afugentamento de Passageiros: O mau aspeto e a degradação visível dos comboios e estações afastam potenciais passageiros. Ninguém deseja viajar num meio de transporte que transmite uma imagem de vandalismo e desleixo, o que prejudica a luta pela manutenção e revitalização da linha;
 * Custos Acrescidos: A limpeza destas pinturas acarreta despesas avultadas para as empresas gestoras (como a CP - Comboios de Portugal e a Infraestruturas de Portugal), retirando recursos que poderiam ser aplicados na manutenção e modernização, tanto do material circulante como da via férrea, que já é uma necessidade gritante;
  * Risco para a Imagem e Futuro: Para movimentos cívicos e defensores da Linha do Vouga, o vandalismo representa um risco real de encerramento do serviço de passageiros. A degradação contínua pode ser usada como argumento para desinvestimento e, em última instância, para a desativação da linha, algo que já aconteceu parcialmente (por exemplo, com o corte entre Sernada do Vouga e Oliveira de Azeméis, substituído por táxis em 2013).

O Apelo Cívico e a Necessidade de Ação

Perante este cenário, o Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) e outras entidades têm lançado apelos veementes às autoridades e empresas responsáveis. A exigência é de "mão mais pesada" no controlo e fiscalização deste património, que é de toda a comunidade.

O desafio está em encontrar um equilíbrio entre a liberdade da expressão artística urbana e a preservação do património público. O vandalismo, que é a aplicação não autorizada de grafitis em propriedade alheia, é ilegal e destrói o que é de todos.

É urgente que as empresas e as câmaras municipais servidas pela linha colaborem no sentido de:
 
 * Reforçar a vigilância nas estações e nos locais onde o material circulante pernoita;
 * Promover a limpeza e manutenção de forma mais célere;
 * Sensibilizar a população para a importância da Linha do Vouga como um bem cultural e de transporte.

O "Vouguinha" é um testemunho de resistência, mas a sua história não pode ser manchada e comprometida pela ação destrutiva do "cancro dos grafitis". A propósito desta temática, no seu mais recente episódio, o podcast "Sobre Carris" faz manchete precisamente com o "Turismo de Grafitagem" que tem assolado o nosso país. Oiça aqui:


quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Sugestão MCLV: Livro 'Caçador de Locomotivas', de Ricardo Grilo

Há dez anos, entrevistámos aquele que consideramos como um dos maiores entusiastas do caminho de ferro, e principalmente da Linha do Vouga, Ricardo Grilo. Hoje, sugerimos a leitura do seu mais recente livro: o "Caçador de Locomotivas".

Profusamente ilustrado com fotos originais, este livro, que apresenta logo na capa a locomotiva a vapor CP E97 que se encontra resguardada em Sernada do Vouga, tem um grande enfoque nas linhas de via estreita em Portugal e Espanha, com particular atenção à Linha do Vouga, por ser uma das favoritas do autor que, nos anos 1980 e 90, percorreu todas as linhas portuguesas em busca de uma época que então acabava.

O livro com 218 páginas, 260 fotografias originais a cores e 15 perfis é um álbum de histórias e imagens coloridas de um país e de uma ferrovia que na sua maioria já não existe.

Ao complexo do Vouga são dedicados três capítulos, sendo um primeiro designado “Almoço no Vouga” a descrever um episódio passado com o autor em 1970, quando descobriu as automotoras a gasolina ME50; outro a referir o Ramal de Espinho denominado “Os comboios do Mar Azul”, e por fim, um final intitulado “Requiem pelo Vouga” que descreve diversos aspetos da linha, apresentando diversas fotos, incluindo algumas realizadas na semana antes do encerramento do troço Sernada a Viseu, em 1990. 



O livro com 218 páginas, 260 fotografias originais a cores e 15 perfis é um álbum de histórias e imagens coloridas de um país e de uma ferrovia que na sua maioria já não existe. Foi escrito numa linguagem tecnicamente correta, mas acessível aos não-iniciados no tema de modo a poder ser interessante para todos os leitores e não apenas para especialistas. 


Pode ser adquirido diretamente ao autor/editor (é o mesmo) ou em locais de venda selecionados de norte a sul do país que podem ser encontrados na imagem abaixo.



Para aguçar o apetite pela leitura, partilhamos aqui novamente a entrevista que Ricardo Grilo nos concedeu em 2015 (clique sobre o texto).


terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Marchas de formação de maquinistas no troço central da Linha do Vouga


Neste vídeo, mostramos algumas circulações das automotoras UDD 9630 relativas a marchas especiais de formação de maquinistas que têm decorrido no recém-renovado troço central da Linha do Vouga. 

Estas imagens foram captadas em vários locais do troço que liga Oliveira de Azeméis a Sernada do Vouga, entre os dias 19 de novembro e 1 de dezembro. Com a velocidade máxima estipulada nos 40 km/h, estas marchas continuarão a decorrer até ao dia 12 deste mês.


🎬 Créditos: Imagens captadas por Vitor Gomes e Jorge Seoane

sexta-feira, 28 de novembro de 2025

Ultrapassamos a marca dos 11 mil seguidores no Facebook


A nossa comunidade continua a crescer e já ultrapassamos a marca redonda dos 11 mil seguidores no Facebook. Esta é mais uma pequena conquista que nos permite reafirmar a importância do Movimento Cívico pela Linha do Vouga como uma das comunidades com maior capacidade e responsabilidade na promoção e divulgação da Linha do Vouga. 


Somando os seguidores de todas as nossas redes sociais, este número ultrapassa largamente os 12 mil, o que demonstra que as pessoas continuam interessadas por esta linha centenária e estão preocupadas com o seu futuro. A nossa luta já perdura há mais de 14 anos e os tempos que se avizinham esperam-se uma vez mais difíceis, desafiantes, mas com o sentimento de que o futuro da linha está salvaguardado e será mesmo modernizada. 


Queremos continuar a crescer e estamos convictos que este número poderá ser ainda maior, por isso apelamos a todos aqueles que nos acompanham para darem o seu pequeno contributo seguindo a nossa página. Todos seremos poucos, mas poucos podem fazer muito! O nosso muito obrigado a todos os que nos apoiam e seguem fielmente o nosso trabalho!


Quanto mais longe chegar a nossa mensagem, maior será a probabilidade de vencermos a luta por uma Linha do Vouga moderna e a servir cada vez melhor as populações. Por isso, se ainda não nos segue, convidamo-lo a fazê-lo pois esse pequeno contributo é para nós um grande incentivo. Fazemos ainda o apelo para que nos siga também nas nossas restantes redes sociais: 


https://linktr.ee/mclvouga


terça-feira, 25 de novembro de 2025

Comboio Histórico do Vouga está de regresso para mais uma edição de Natal

Créditos da imagem: Facebook da CP

Foi no dia após a Linha do Vouga ter completado os seus 117 anos que a CP resolveu "presentear" os seus clientes e demais entusiastas com o anúncio oficial de mais uma edição natalícia do Comboio Histórico do Vouga, que este ano circulará todos os sábados e domingos, de 7 de dezembro a 4 de janeiro. 

A histórica composição voltará aos carris para mais uma jornada festiva entre Aveiro e Macinhata do Vouga, com direito às habituais visitas ao Museu Ferroviário local e ao centro da cidade de Águeda.

Comparativamente com a edição anterior, registamos nova ligeira subida do preço dos bilhetes, no entanto continuemos confiantes que esta edição voltará a ser um sucesso. A venda dos bilhetes já se encontra disponível na seguinte ligação:


domingo, 23 de novembro de 2025

Linha do Vouga completa 117 anos!

Foi há 117 anos que el rei D. Manuel II inaugurou a Linha do Vouga. A 23 de novembro de 1908, o último monarca de Portugal percorria o primeiro troço desta linha, entre Espinho e Oliveira de Azeméis, naquela que é agora a última em via estreita em funcionamento no nosso país. 



Atualmente, a via férrea que liga Espinho a Aveiro pelo interior do distrito, continua a aguardar pela tão desejada requalificação, embora este ano se tenham verificado pequenos avanços a esse respeito, nomeadamente com a conclusão dos trabalhos de renovação de via do troço central, assim como com a confirmação da parte do governo de que iguais trabalhos irão avançar brevemente nos troços Feira-Espinho e Águeda-Aveiro. Ao nível de material circulante, destaque para o início dos trabalhos da reparação da caldeira da locomotiva a vapor CP E214 e para o regresso da locomotiva a diesel CP 9005 à Linha do Vouga.


Por mais 117 anos ao serviço das populações aveirenses! Muitos parabéns à Linha do Vouga e ao nosso querido Vouguinha!


sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Reativação do serviço ferroviário no troço central exige intervenção em metade das paragens

No seguimento da nossa publicação relativamente ao que a CP poderia fazer para uma imediata reativação do serviço ferroviário de passageiros no troço central da Linha do Vouga, nomeadamente a criação do comboio "MiraVouga", vimos agora apelar à gestora da infraestrutura, a Infraestruturas de Portugal, para que reúna os esforços necessários para ultrapassar o mais rápido possível os obstáculos que continuam a impedir que os comboios sirvam as populações entre Oliveira de Azeméis e Sernada do Vouga. Tal como descrevemos no nosso comunicado lançado em agosto, é do nosso entender que compete à IP fazer o seguinte:

1) Criar as condições mínimas necessárias para que seja colocado um funcionário, provisoriamente, nas passagem de nível com guarda sem automatização, nomeadamente à saída de Oliveira de Azeméis e à entrada de Albergaria-a-Velha; 

2) Colocar plataformas provisórias nas paragens que não estejam, atualmente, dotadas das condições mínimas exigidas pela operadora (a exemplo do que se fez na Linha de Leixões); 

3) Acelerar ao máximo o processo de reposição dos Aparelhos de Mudança de Via (AMV's) para que a operadora possa futuramente implementar horários mais atrativos. 

Numa análise um pouco mais minuciosa, chegamos à conclusão de que a resolução dos pontos acima referidos poderá revelar-se insuficiente, uma vez que existem estações e apeadeiros cujos padrões de segurança e acessibilidade estão muito abaixo do mínimo que o próprio bom senso exige.

Nesse sentido, e no intuíto de ajudarmos a IP a identificar os diversos problemas de forma a poder agilizar o processo para a sua resolução, apresentamos a nossa avaliação de cada uma das estações e apeadeiros do troço central:

📍 Estação de Oliveira de Azeméis


⚠️ Sala de espera: Sim (desativada)
❌ Bilheteira: Não
⚠️ Painel informativo: Sim (não eletrónico)
✔️ Sinalética: Sim
✔️ Abrigo: Sim
⚠️ WC: Sim (desativado)
✔️ Iluminação: Sim
✔️ Plataforma: Sim 
✔️ Acesso pedonal: Sim
✔️ Estacionamento: Sim
✔️ Cruzamentos (AMV's): Sim
✔️ Localizada adequada: Sim
 
Pontos: 9,5/12
Nota: Bom (79%) 

📍 Apeadeiro de Ul


❌ Bilheteira: Não
❌ Painel informativo: Não 
❌ Sinalética: Não 
⚠️ Abrigo: Sim (deficitário)
✔️ Iluminação: Sim
✔️ Plataforma: Sim 
✔️ Acesso pedonal: Sim
⚠️ Estacionamento: Sim (deficitário)
✔️ Localização adequada: Sim

Pontos: 5/9
Nota: Razoável (56%) 

📍 Apeadeiro de Travanca/Macinhata


❌ Bilheteira: Não
❌ Painel informativo: Não 
❌ Sinalética: Não 
❌ Abrigo: Não 
❌ Iluminação: Não 
✔️ Plataforma: Sim 
❌ Acesso pedonal: Não 
❌ Estacionamento: Não
✔️ Localização adequada: Sim

Pontos: 2/9
Nota: Mau (22%)

📍 Apeadeiro de Figueiredo


❌ Bilheteira: Não
❌ Painel informativo: Não 
❌ Sinalética: Não 
✔️ Abrigo: Sim 
✔️ Iluminação: Sim 
✔️ Plataforma: Sim 
✔️ Acesso pedonal: Sim 
⚠️ Estacionamento: Sim (deficitário)
⚠️ Localização adequada: A analisar 

Pontos: 5/9
Nota: Razoável (56%)
 
📍 Estação do Pinheiro da Bemposta 


❌ Sala de espera: Não 
❌ Bilheteira: Não
❌ Sinalética: Não 
❌ Painel informativo: Não 
❌ Abrigo: Não 
❌ WC: Não 
⚠️ Iluminação: Sim (deficitária)
✔️ Plataforma: Sim 
⚠️ Acesso pedonal: Inadequado
⚠️ Estacionamento: Sim (deficitário)
❌ Cruzamentos (AMV's): Não 
✔️ Localizada adequada: Sim

Pontos: 3,5/12
Nota: Insuficiente (29%) 

📍 Apeadeiro da Branca


❌ Bilheteira: Não
❌ Painel informativo: Não
❌ Sinalética: Não 
❌ Abrigo: Não 
✔️ Iluminação: Sim 
❌ Plataforma: Não 
⚠️ Acesso pedonal: Inadequado 
⚠️ Estacionamento: Sim (deficitário)
⚠️ Localização adequada: A analisar

Pontos: 2,5/9
Nota: Insuficiente (28%) 

📍 Apeadeiro de Albergaria-a-Nova


❌ Bilheteira: Não
❌ Painel informativo: Não
❌ Sinalética: Não 
✔️ Abrigo: Sim 
✔️ Iluminação: Sim 
✔️ Plataforma: Sim 
✔️ Acesso pedonal: Sim
⚠️ Estacionamento: Sim (deficitário)
⚠️ Localização adequada: A analisar

Pontos: 5/9
Nota: Razoável (56%) 

📍 Apeadeiro de Urgueiras


❌ Bilheteira: Não
❌ Painel informativo: Não
❌ Sinalética: Não 
❌ Abrigo: Não 
✔️ Iluminação: Sim
❌ Plataforma: Não 
❌ Acesso pedonal: Não 
❌ Estacionamento: Não 
⚠️ Localização adequada: A analisar

Pontos: 1,5/9
Nota: Mau (17%) 

📍 Estação de Albergaria-a-Velha


⚠️ Sala de espera: Sim (desativada) 
❌ Bilheteira: Não
❌ Sinalética: Não 
❌ Painel informativo: Não 
❌ Abrigo: Não 
⚠️ WC: Sim (desativado)
⚠️ Iluminação: Sim (deficitária)
✔️ Plataforma: Sim 
⚠️ Acesso pedonal: Inadequado
✔️ Estacionamento: Sim
❌ Cruzamentos (AMV's): Não 
✔️ Localizada adequada: Sim

Pontos: 5/12
Nota: Insuficiente (42%) 

📍 Estação de Sernada do Vouga


❌ Sala de espera: Não 
❌ Bilheteira: Não
❌ Sinalética: Não 
⚠️ Painel informativo: Sim (não eletrónico)
❌ Abrigo: Não 
✔️ WC: Sim
⚠️ Iluminação: Sim (deficitária)
✔️ Plataforma: Sim 
✔️ Acesso pedonal: Sim
⚠️ Estacionamento: Sim (deficitário)
✔️ Cruzamentos (AMV's): Sim
✔️ Localizada adequada: Sim

Pontos: 6,5/12
Nota: Razoável (54%) 

Legenda (intervalos e pontos de avaliação):

Bom (75-100%)
Razoável (50-74%)
Insuficiente (25-49%)
Mau (0-24%)

✔️ (1 ponto)
⚠️ (0,5 pontos)
❌ (0 pontos)

👉 Passagens de nível (com guarda e sistema manual) a intervir:

📍 Oliveira de Azeméis (PK 33,2)


📍 Albergaria-a-Velha (PK 54,2)


📍 Albergaria-a-Velha (PK 54,9)


👉 Resumo:

Total: 10 paragens (4 estações e 6 apeadeiros)

Bom: Oliveira de Azeméis 
Razoável: Ul, Figueiredo, Albergaria-a-Nova e Sernada do Vouga
Insuficiente: Pinheiro da Bemposta, Branca e Albergaria-a-Velha
Mau: Travanca/Macinhata e Urgueiras

Total positivas: 5
Total negativas: 5

👉 Considerações finais:

Para que a infraestrutura esteja efetivamente apta à reativação do serviço comercial, a IP terá de intervir o quanto antes em metade das paragens do troço central, de modo a que estas possam atingir um patamar razoável de operabilidade, sendo os casos mais urgentes os da Branca e Urgueiras, uma vez que neste momento nem de plataforma dispõem. Além disso, terá de automatizar (ou colocar um funcionário) nas três PN's com guarda identificadas (uma em Oliveira de Azeméis e duas em Albergaria-a-Velha). Em abono da verdade, convém salientar que estas intervenções não têm de ficar exclusivamente a cargo da IP, sendo por isso necessária a colaboração do poder local, nomeadamente dos municípios de Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha e Águeda.


Autoria das fotos: Bruno Soares

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Problemas de drenagem junto ao túnel de Açores

Temos sido alertados por seguidores para problemas no troço central derivado quer do mau tempo, quer de falta de manutenção, neste caso das manilhas que passam por baixo da linha, para escoamento das águas pluviais.


Aquando da execução da intervenção na via, a pessoa que nos fez chegar estas imagens, captadas junto ao túnel de Açores, inclusive terá alegadamente alertado o pessoal da empreitada de que isto poderia acontecer se não fosse devidamente acautelado durante a obra.

Esta situação é incompreensível, visto que este troço acabou de ser requalificado. Já basta não circularem comboios no serviço comercial, pelo que não vamos aceitar que se deixe esta linha voltar à degradação anterior e a pôr em risco as marchas. 

Assim sendo, vimos por este meio apelar à Infraestruturas de Portugal para que cumpra as suas obrigações no que toca à devida fiscalização e manutenção da linha.


sexta-feira, 14 de novembro de 2025

'MiraVouga': uma solução para devolver o comboio ao troço central

Passaram 12 anos desde que o serviço ferroviário de passageiros foi suspenso no troço central da Linha do Vouga. Em 2013, devido ao avançado estado de degradação da infraestrutura, a velocidade máxima naquele troço já era de apenas 30km/h. 

Um descarrilamento junto ao apeadeiro de Ul, em meados de outubro desse ano, viria a ser um dos principais pretextos para CP e Refer (atual IP) limitarem as circulações à velocidade máxima de 10km/h, tornando aquele comboio no mais lento de Portugal (e provavelmente da Europa). 

O descarrilamento de uma automotora 9630 junto ao apeadeiro de Ul, a 21 de outubro de 2013, acabou por ditar a suspensão temporária do serviço ferroviário de passageiros, no troço central. Foto: Anibal Bastos

Com apenas duas circulações diárias em cada sentido, de Oliveira de Azeméis as automotoras que partiam às 10h30 e às 16h54 em direção a Sernada do Vouga, e no sentido inverso às 6h09 e 14h52, e que já demoravam uma hora e seis minutos para percorrer os cerca de 29 quilómetros, passaram a demorar cerca de três horas!

Se a contestação das populações (onde nos incluímos) e autarcas travou a intenção anunciada pelo governo, em novembro de 2011, de encerrar toda a Linha do Vouga, as mesmas forças já não foram capazes de travar a suspensão do serviço ferroviário de passageiros no seu troço central, que se consumou no final daquele fatídico mês de outubro de 2013, com o anúncio de que este seria substituído por transporte rodoviário (autocarro/táxi), porém mantendo-se aberto e à velocidade máxima de 10 km/h apenas para comboios de serviço (idas à manutenção), num cenário que perdurou ao longo de todos estes anos.

Quando já eram poucos os que acreditavam ser possível salvar aquele troço votado completamente ao abandono, eis que em fevereiro de 2024 iniciaram as tão desejadas obras de renovação, com um investimento que rondou os 6,2 milhões de euros. Em agosto deste ano, o governo e a IP anunciaram com pompa e circunstância a conclusão dessa empreitada, no entanto alegaram que apesar da infraestrutura encontrar-se agora em boas condições de circulação, ainda não permite a retoma do serviço de passageiros. 

Nesta imagem, mostramos o "antes e depois" do estado da via, junto ao local onde ocorreu o descarrilamento de 2013.


Ora, a nossa convicção é de que não há, na verdade, um bom motivo que o justifique. Nesse sentido, o objetivo desta nossa publicação não é debruçar-nos sobre o que compete fazer a cada uma das entidades responsáveis pela Linha do Vouga (IP e CP) para que o serviço de passageiros seja reposto o quanto antes, até porque já o fizemos num comunicado lançado em agosto, mas antes deixar algumas sugestões à operadora ferroviária, as quais, do nosso ponto de vista, poderiam ajudar a agilizar este processo.


Como temos vindo intensamente a alertar, um dos grandes problemas desta linha é a falta de material circulante, mas não é menos verdade que desde 2017 que a CP tem vindo a recuperar o pouco material de via estreita que resta no nosso país. E boa parte desse material até já se encontra disponível precisamente nesta linha, embora a sua utilização se tenha limitado apenas a circulações de carácter turístico. Não sendo, portanto, a falta de material circulante motivo para justificar a ausência do serviço de passageiros no troço central, do nosso ponto de vista é possível não só repor as circulações que existiam antes da sua suspensão, como é possível adicionar pelo menos mais duas em cada sentido. 

Deixamos, por isso, aqui um quadro com os horários praticados atualmente pelo serviço de substituição (táxi) e outro com a nossa sugestão para a imediata reposição do serviço ferroviário, que apesar de contemplar mais duas circulações em cada sentido, continua a não ser o ideal, mas com os reajustes que apresentamos, permitiria ter alguma atratividade. Tivemos em consideração uma redução dos tempos de viagem de uma hora e seis minutos para "apenas" 55 minutos, acreditando que será expectável um aumento da velocidade máxima de 30 para 50 km/h, à semelhança do que é praticado nos restantes troços. Uma das nossas preocupações é que os comboios que chegam tanto a Oliveira de Azeméis como a Sernada do Vouga possam ter ligação com os comboios que seguem em direção a Espinho e Aveiro, respetivamente, com o menor tempo de espera possível.

Neste quadro, mostramos os horários praticados atualmente pelo serviço rodoviário de substituição (táxi), os quais são praticamente idênticos aos que eram feitos pelo comboio antes da sua suspensão.

Neste quadro, mostramos a nossa sugestão de novos horários para a imediata reposição do serviço ferroviário, contemplando mais duas circulações em cada sentido. (*) O comboio correspondente à hora assinalada termina/inicia atualmente a sua marcha em Macinhata do Vouga, pelo que para assegurar ligação ao troço central, teria de passar a terminar/iniciar em Sernada.

Mas afinal, qual é o material circulante que poderia fazer este serviço? A resposta até poderá ser bem mais simples do que parece... Como todos sabemos, e a título de exemplo, um dos grandes sucessos da Linha do Douro é o comboio "Miradouro", constituído essencialmente pelas famosas locomotivas diesel CP 1400, dos anos 60, e pelas carruagens Schindler, dos anos 40. Ora, na Linha do Vouga é possível replicar uma composição relativamente semelhante, que poderia ser o comboio "MiraVouga", recorrendo às locomotivas diesel CP 9000, também dos anos 60, e às carruagens napolitanas, dos anos 30. 

Neste momento, em Sernada do Vouga já se encontram disponíveis as locomotivas CP 9004 e 9005, assim como duas carruagens napolitanas (17-29 004 e 37-29 006). Além disso, a CP tem mais duas carruagens napolitanas a recuperar nas suas oficinas de Contumil, assim como já terá em estado de marcha as automotoras Allan 9310 e Nohab 9103, às quais se juntam e a aguardar recuperação, respetivamente, as suas irmãs 9305 e 9102. Com este material, seria perfeitamente possível criar o tal comboio "MiraVouga", que seria responsável pela maioria das circulações no troço central, sendo que as restantes seriam feitas através da rotação das automotoras 9630, as quais são responsáveis pelo serviço nos restantes troços.


Como é óbvio, esta solução seria temporária e de transição para o novo material circulante que se espera que chegue com urgência a esta linha, mas enquanto isso não acontece, a criação do comboio "MiraVouga" permitiria, além da injeção de mais material na rede com relativa rapidez, a reabertura e melhoria do serviço, que apesar de continuar a não ser o ideal, já seria melhor que nada. Na elaboração da nossa sugestão para a nova tabela de horários, para além da existência de ligações com os comboios que seguem para Aveiro e Espinho com tempos de espera aceitáveis, tivemos em conta que estes possam servir essencialmente quem procura deslocações de e para o trabalho ou escola.


Além disso, para evitar, ou minimizar, que o material histórico afeto ao "MiraVouga" seja vandalizado, este terá sempre de iniciar e terminar as suas marchas em Sernada do Vouga, para que ali possa ficar resguardado durante a noite. É, portanto, a hora de apontar a mira a esta solução e devolver o Vouga ao troço central. Não queremos mais desculpas, queremos o serviço ferroviário de volta. Queremos o comboio "MiraVouga"!

Anos
A idade da Linha do Vouga
98 Quilómetros
Via férrea ativa entre Espinho e Aveiro
610000 Passageiros
Média anual na Linha do Vouga

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