A cidadania ativa deu frutos: o histórico sinal localizado em Albergaria-a-Velha, que corria o risco de ir para a sucata por decisão da Infraestruturas de Portugal (IP), já foi oficialmente entregue ao Museu Ferroviário de Macinhata do Vouga.
A caminhar para os seus 15 anos de existência, o Movimento Cívico pela Linha do Vouga (MCLV) encontra-se a preparar um conjunto de atividades para assinalar esse marco e foi nesse âmbito que propôs-se inicialmente a realizar uma pequena intervenção voluntária de limpeza e pintura no degradado sinal "Pare, Escute e Olhe" (localizado sensivelmente ao PK 54,76, próximo da estação de Albergaria-a-Velha).
A resposta inicial da IP acabou por desencadear um impasse burocrático: a empresa pública não só recusou a intervenção alegando motivos de segurança, como emitiu ordens para a remoção definitiva do sinal, recusando a sua cedência para fins museológicos por considerar que o mesmo "não reunia condições" devido ao seu mau estado de conservação.
Da burocracia à salvaguarda histórica
Inconformado com a perspetiva de ver um pedaço da memória ferroviária do "Vouguinha" destruído ou enviado para a sucata, o MCLV bateu o pé. Através de uma forte contra-argumentação junto da IP e de um alerta estratégico enviado ao Museu Nacional Ferroviário, ao Núcleo de Macinhata do Vouga e à Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, o movimento apelou à salvaguarda do sinal. O argumento foi simples: o mau estado de uma peça histórica deve ser o motor para o seu restauro, nunca para o seu descarte.
A pressão surtiu efeito. A IP terá assim reconsiderado a sua decisão e, aproveitando a logística operacional de remoção, transportou e entregou o histórico sinal diretamente no Museu de Macinhata do Vouga, facto já confirmado ao nosso movimento por ambas as partes.
Uma vitória de todos
Esta vitória prova que a preservação da Linha do Vouga — a última linha de via estreita em funcionamento em Portugal — se faz também na defesa dos seus pequenos detalhes, símbolos e memórias coletivas. O MCLV agradece publicamente a sensibilidade demonstrada pela IP ao reverter a sua decisão, bem como o apoio das entidades institucionais que se terão aliado a esta causa. O património ferroviário regional agradece!
Autoria das fotos: Bruno Soares


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