Hoje fomos confrontados com uma publicação no grupo de facebook "Comboios de Portugal" a dar conta de que as últimas automotoras "jugoslavas" da série 9700 que restavam em solo português, alegadamente, terão sido vendidas ao Inca Rail, do Peru. A ser verdade, é com enorme tristeza e indignação que assistimos à partida destas composições, também conhecidas por "Donas Xepas", que serviram em várias linhas de bitola métrica do Norte do país, onde se inclui a Linha do Vouga, sendo esta imagem o reflexo perfeito de décadas de desinvestimento, abandono e total desprezo pela via estreita em Portugal.
Em vez de se preservar a memória ferroviária nacional, salvaguardando o material histórico num museu ou acautelando o futuro das nossas linhas métricas, aparentemente continua-se a preferir despachar este património para o outro lado do Atlântico. Transcrevendo a dita publicação, "perde-se hoje um pedaço de história que não ficará em museu", pelo que "não se aprendeu nada com a venda de todas as (locomotivas) 9020".

A Linha do Vouga — o último bastião ativo da via estreita em Portugal — continua a sofrer com a falta de material circulante adequado, com promessas de modernização que tardam em avançar plenamente e com uma gritante falta de visão estratégica. Se outros países valorizam, recuperam e rentabilizam este material (seja para o turismo, seja para o serviço regular), por cá a receita mantém-se: deixar degradar até já não haver retorno. Não podemos continuar a assobiar para o lado enquanto prossegue o desmantelamento da ferrovia de via estreita e apagam a sua história. A defesa da Linha do Vouga é também a defesa da nossa identidade e do património de todos os portugueses!
🔍 Publicação no grupo "Comboios de Portugal":
https://www.facebook.com/share/p/18LJBiXdNz/
📸 Autoria das fotos:
1) Tiago Miranda (Guifões, 01-06-2026)
2) Johannes Smit (Sernada do Vouga, 1992)
0 comments:
Enviar um comentário